Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

Perdi-me em ti

De tudo o que me tiraste, quero-me de volta. Mesmo agora, tão distante, impedes-me de ser; traz-me todos os bocados que te deixei. Não te quero mas quero o que roubaste de mim; não me dóis mas dói-me o que levaste e me deixou tão vazia.

De tudo o que esperei de nós, nunca pensei que me carregasses contigo desta forma, que me arrancasses de mim própria. Egoísmo sempre foi o teu forte mas e agora? Não te quero mas quero-me tanto e não me encontro. Estou perdida em ti, fazes-me estar perdida em ti sem sequer o querer; levares-me para onde não tenciono ir sempre foi o teu forte.

Do pior que me podias ter feito fizeste sem saber, levaste-me à força e agora tudo o que me resta é este coração de gelo que de gelo não é feito mas de uma angústia enorme de querer ser e não poder.

Não quero saber de ti, só desejo ter-me de volta e tudo o que eu consegui ser antes de, sem aviso prévio, arrancares-me brutalmente de mim própria. Quero sentir, quero viver; não quero transformar-me nestes pedaços de nada que vagueiam por aí sem saber para onde. Não és tu quem procuro em todas as noite mal dormidas, anseio apenas pelo que me falta para voltar a ser eu.

Se não me devolves quase me matas mas eu renasço e serei quem nunca terás a oportunidade de tocar dessa tua maneira suja que uma vez quase me destruiu. De tudo o que a vida já me mostrou o pior foste tu a quem me dei, foste egoísta e guardaste-me só para ti mesmo sabendo que preciso de mim mais do que qualquer outra pessoa; fizeste-o porque sabes e sabes bem que é a única forma de me teres, nem que seja, a falar ou pensar em ti: roubando-me.

Porque é que eu continuo a deixar que me faças isto? Quero esquecer o mundo, esquecer que tudo é uma mentira; uma inegável e repugnante mentira.

publicado por Catherine às 20:42
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